A parte preservada da Amazônia esquentou 3,2 graus na seca, e ninguém estava olhando para lá
Um estudo de 53 cientistas, com INPE e Universidade de Lancaster, achou no centro-norte preservado a região onde os extremos climáticos mais aceleram: 0,75 grau por década na estação seca, quase 4 vezes o ritmo da média anual.

Um paper de 53 cientistas, com participação do INPE, de Liana Anderson e Luiz Aragão, e da Universidade de Lancaster, saiu na Communications Earth & Environment em 10 de setembro com um achado incômodo: o centro-norte da Amazônia, região preservada de 700 mil km2, 10% do bioma, é onde os extremos climáticos mais aceleram. As temperaturas máximas da estação seca já somam mais de 3,2 graus de alta desde 1981.
Extremo climático é o dia mais quente, não a temperatura média: é o pico que mata árvore, seca igarapé e alimenta fogo. E é aí que a conta assusta: os extremos da seca sobem no mínimo 0,75 grau por década, quase 4 vezes o ritmo da média anual, de 0,2 grau por década. Quem olhava só a média não via nada demais.
A série cobre 42 anos, de 1981 a 2023, com resolução de 11 km. A região é justamente a mais intocada do bioma: sem desmatamento relevante para culpar, o aquecimento acelerado ali aponta para a dinâmica do clima em escala maior, não para a motosserra do vizinho.
O achado passou por revisão por pares e foi repercutido pela Agência FAPESP, pela Universidade de Lancaster e pela imprensa internacional. O que o estudo não responde: por que exatamente ali, e o que os 3,2 graus já fizeram com bicho, planta e rio. Essa parte segue em aberto.
Sem motosserra para culpar, o aquecimento ali é recado do clima inteiro.
O ponto fora do radar| O ritmo por década | |
| Extremos da estação seca | 0,75 grau |
| Média anual | 0,2 grau |
| = Extremo contra média | quase 4x |
| A série | |
| Início dos dados | 1981 |
| Fim dos dados | 2023 |
| = Anos de série, a 11 km | 42 |
Números do paper e do release de Lancaster, repercutidos pela Agência FAPESP. A razão entre 0,75 e 0,2 é destacada pelos próprios autores.
Foram 53 cientistas que resolveram olhar onde ninguém olhava, porque a média escondia o extremo: o alarme não tocou sozinho, alguém foi lá conferir.
O achado central tem paper revisado, release institucional e cobertura independente: por isso a confiança é alta.
Evidência▾
Entidades INPE, Liana Anderson, Luiz Aragão, Universidade de Lancaster, Communications Earth & Environment, Agência FAPESP
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