Layer 8

Anvisa apura 13 notificações de cegueira súbita em usuários de canetas para diabetes e obesidade

A agência investiga possível ligação entre agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, e uma lesão rara no nervo óptico. A relação causal ainda não foi comprovada.

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Caneta injetável laranja e branca posicionada sobre frasco cinza de medicamento, em close.
Foto ilustrativa.Marius Vassnes · CC BY-SA 4.0

Em 27 de setembro de 2026, a Anvisa confirmou que investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida como Noia, em pacientes que usavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, hormônio que regula açúcar no sangue e apetite. Os casos envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, segundo levantamento feito a pedido do g1. A pauta de que a agência teria proibido propaganda de uma caneta chamada Semavy não encontra sustentação em nenhum dos trechos apurados e por isso não é tratada como fato confirmado.

A Noia é uma lesão rara que ocorre quando os vasos que irrigam o nervo óptico entopem, cortando oxigênio e nutrientes às células nervosas e provocando perda súbita de visão, muitas vezes sem dor e sem recuperação completa. As 13 notificações fazem parte de um universo maior: desde 2018, o painel de farmacovigilância da Anvisa já registrou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica envolvendo diferentes classes de remédios. No sistema, os 13 casos ligados a canetas de GLP-1 aparecem separados entre 12 notificações de semaglutida e uma de tirzepatida, podendo se sobrepor entre medicamentos.

O tema não é novo: desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a Noia consta na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara. O que reacendeu a discussão nesta semana foi a revelação, pelo The Wall Street Journal, de que um grupo de pacientes americanos processou a Novo Nordisk alegando risco de perda de visão ligado à doença. Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology, que analisou mais de 1,6 mil prontuários, encontrou risco de quatro a sete vezes maior de Noia em pacientes tratados com semaglutida frente a quem usava outros remédios, mas os próprios autores apontam limitações para provar causa e efeito, já que muitos pacientes também tinham diabetes, condição que por si só pode afetar os vasos do nervo óptico.

A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, diz que uma análise de seus próprios ensaios clínicos, com mais de 83 mil pacientes-ano de observação, não mostrou aumento de casos da doença associado à semaglutida e considera o balanço entre benefícios e riscos favorável. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, afirma que monitora dados de segurança de seus remédios, incluindo questões oftalmológicas. A Anvisa reforça que a presença do remédio e da doença na mesma notificação não comprova relação de causa.

Doze notificações são de semaglutida. Uma é de tirzepatida. Nenhuma foi confirmada como causada pelo remédio

O que se sabe
O que aconteceu
Como começou
A discussão sobre canetas de GLP-1 e perda de visão voltou à tona depois que pacientes americanos processaram a Novo Nordisk, em processos revelados pelo Wall Street Journal.
Quem fez o quê
Anvisa. Investiga 13 notificações de suspeita de Noia em pacientes que usavam Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.
Novo Nordisk. Diz que seus próprios ensaios clínicos não mostraram aumento de casos da doença com a semaglutida.
Eli Lilly. Afirma que monitora dados de segurança do Mounjaro, incluindo questões oftalmológicas.
Até agora
O que se sabe
Desde 2018 a Anvisa já registrou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica no total.
Desde junho de 2025 a Noia consta na bula dos medicamentos com semaglutida.
Um estudo na JAMA Ophthalmology achou risco de 4 a 7 vezes maior de Noia com semaglutida.
O que ainda não se sabe
Se existe proibição de propaganda de alguma caneta emagrecedora chamada Semavy.
Se a Noia é realmente causada pelos medicamentos ou por condições preexistentes dos pacientes.

O Layer 8 volta ao assunto quando houver novidade.

Todos os casos seguem classificados como suspeitos pela própria Anvisa; nenhuma fonte apurada menciona proibição de publicidade.

Camada 82 lentes: a quem o fato afeta e como

Quem usa as canetas

Sociedades médicas não recomendam parar o tratamento por conta própria

  • Em caso de perda súbita ou recente da visão, a orientação é buscar avaliação médica imediata. Fonte: Olhar Digital
  • Interpretação · leitura do Layer 8Para quem trata obesidade ou diabetes, o benefício ainda supera o risco raro apontado até aqui.

E no Brasil?

Anvisa já mudou a bula, mas não confirma proibição de propaganda

Como chegou aqui
2018Painel de farmacovigilância da Anvisa começa a registrar suspeitas de neuropatia isquêmica óptica.
JUN 2025Anvisa determina que a Noia passe a constar na bula dos medicamentos com semaglutida.
SEMANA DE 27 SETThe Wall Street Journal revela processos de pacientes americanos contra a Novo Nordisk.
27 SET 2026Anvisa confirma que investiga 13 notificações ligadas a canetas de GLP-1.
Evidência▾
G1Levantamento original com os números de notificações, falas da Anvisa e das fabricantes.independente · 27 set 2026
Poder360Reproduz o levantamento do g1 com confirmação da data de publicação.independente · 27 set 2026
ExameTraz o gatilho da semana: os processos revelados pelo Wall Street Journal e detalhes do estudo da JAMA.independente · 27 set 2026
InfoMoneyConfirma abertura da investigação e notas das fabricantes na mesma data.independente · 27 set 2026
Olhar DigitalDetalha a fala do oftalmologista Rubens Belfort Neto e recomendação de não suspender tratamento por conta própria.independente · 27 set 2026
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Entidades Anvisa, Novo Nordisk, Eli Lilly, Ozempic, Wegovy, Rybelsus, Mounjaro, JAMA Ophthalmology, Rubens Belfort Neto, The Wall Street Journal

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Anvisa investiga 13 casos de cegueira súbita ligados a canetas emagrecedoras

13notificações de Noia sob investigação da Anvisa
Fontes: G1, Poder360, Exame, InfoMoney e Olhar Digital
Confiança média
Foto: Marius Vassnes · CC BY-SA 4.0
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O que aconteceu

Como começou

A discussão sobre canetas de GLP-1 e perda de visão voltou à tona depois que pacientes americanos processaram a Novo Nordisk, em processos revelados pelo Wall Street Journal.

  • Anvisa

    Investiga 13 notificações de suspeita de Noia em pacientes que usavam Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.

  • Novo Nordisk

    Diz que seus próprios ensaios clínicos não mostraram aumento de casos da doença com a semaglutida.

  • Eli Lilly

    Afirma que monitora dados de segurança do Mounjaro, incluindo questões oftalmológicas.

layer8times.comGEN 001 · 27 set 2026
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Até agora

O que se sabe

  • Desde 2018 a Anvisa já registrou 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica no total.
  • Desde junho de 2025 a Noia consta na bula dos medicamentos com semaglutida.
  • Um estudo na JAMA Ophthalmology achou risco de 4 a 7 vezes maior de Noia com semaglutida.

O que ainda não se sabe

  • Se existe proibição de propaganda de alguma caneta emagrecedora chamada Semavy.
  • Se a Noia é realmente causada pelos medicamentos ou por condições preexistentes dos pacientes.

O Layer 8 volta ao assunto quando houver novidade.

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Quem usa as canetas

Sociedades médicas não recomendam parar o tratamento por conta própria

  • Em caso de perda súbita ou recente da visão, a orientação é buscar avaliação médica imediata.

    Fonte: Olhar Digital
  • Para quem trata obesidade ou diabetes, o benefício ainda supera o risco raro apontado até aqui.

    Interpretação · leitura do Layer 8

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E no Brasil?

Anvisa já mudou a bula, mas não confirma proibição de propaganda

  • Desde junho de 2025 a Noia consta como reação adversa muito rara na bula da semaglutida no país.

    Fonte: G1 e Exame
  • A proibição de propaganda de uma caneta chamada Semavy não aparece em nenhuma fonte apurada.

    Fonte: G1, Poder360, Exame, InfoMoney e Olhar Digital
layer8times.comGEN 001 · 27 set 2026
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Sua vez.

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Fontes: G1, 27 set · Poder360, 27 set · Exame, 27 set · InfoMoney, 27 set · Olhar Digital, 27 set
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