Superquarta invertida: o Brasil cortou juros no mesmo dia em que os EUA subiram
O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, no quinto corte seguido, horas depois de o Fed subir a taxa americana. Economistas divergem sobre o próximo passo, e para quem tem caixinha e CDB o rendimento começa a encolher.

Na mesma quarta, 16 de setembro, em que o Fed subiu os juros americanos, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, segundo Forbes Brasil, InfoMoney e Economic News Brasil. É o quinto corte seguido, e o movimento era amplamente precificado. O pano de fundo é que é raro: os dois maiores bancos centrais das Américas andando em direções opostas no mesmo dia.
A explicação da divergência cabe numa linha: o Banco Central brasileiro reage à economia fraca, confirmada pelo PIB do segundo trimestre, e o Fed briga com a inflação. O resultado é uma superquarta invertida, com o dólar mais bem pago lá fora no mesmo dia em que o real passa a render menos aqui dentro.
O próximo passo é projeção, não fato, e as projeções divergem: parte dos economistas vê a Selic parada em 13,75% até a eleição definir o quadro fiscal, parte projeta cortes de 0,25 ponto até 13,25% no fim do ano, segundo a Forbes Brasil. O Bank of America foi mais longe e projeta Selic a 11,25% no fim de 2027, ante 12,75% antes, segundo a InfoMoney.
Para quem guarda dinheiro em caixinha e CDB atrelados ao CDI, a conta é direta: cada corte de 0,25 ponto encolhe o rendimento do dinheiro parado. É o quinto encolhimento seguido, e a discussão de agora é se o dinheiro migra para bolsa, para prefixado ou fica onde está esperando a eleição.
O Fed subiu 0,25 no mesmo dia em que o Copom cortou 0,25. O dólar rende mais lá fora, o real rende menos aqui.
Direções opostas| O mesmo dia | |
| Copom, Selic | -0,25 |
| Fed, juro americano | +0,25 |
| = Selic agora | 13,75% |
| As projeções (não são fato) | |
| Fim de 2026, quem vê cortes | 13,25% |
| Fim de 2027, Bank of America | 11,25% |
Selic a 13,75% e quinto corte: Forbes Brasil, InfoMoney e Economic News Brasil. Fed a 3,75%-4,00%: CNBC. 13,25% e 11,25% são projeções, de economistas e do Bank of America, não decisões.
Os diretores do Copom olharam para o PIB fraco e cortaram; os do Fed olharam para a inflação e subiram. Mesmo dia, mapas opostos.
Gazeta Mercantil e Melhor Investimento entram marcados como fontes fracas. O claim central, corte a 13,75% na mesma quarta do Fed, se sustenta em Forbes Brasil, InfoMoney e Economic News Brasil.
Evidência▾
Entidades Copom, Banco Central do Brasil, Federal Reserve, Bank of America, Selic
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