Molécula criada para câncer mata o parasita da malária, e ainda corta a transmissão
Um time da USP testou 14 derivados de uma classe anticâncer e mostrou, in vitro, que eles atacam o Plasmodium falciparum em duas frentes: a fase que causa os sintomas e o estágio que infecta o mosquito. Faltam os testes in vivo.

Um time da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, coordenado por Celia Garcia, testou 14 derivados de 6-anilinopurina, uma classe de moléculas desenvolvida contra o câncer, e mostrou in vitro que eles eliminam o Plasmodium falciparum. O estudo saiu na ACS Omega e ganhou destaque na Agência FAPESP em 15 de setembro.
Malária é a doença transmitida por picada de mosquito que matou cerca de 600 mil pessoas em 2024, segundo a OMS, 90% delas por esse parasita. O achado ataca em duas frentes: a fase assexuada, que causa os sintomas, e os gametócitos, o estágio que infecta o mosquito. Ou seja, além de tratar quem está doente, a molécula pode cortar a cadeia de transmissão.
O mecanismo tem nome: inibição da PfHDAC1, uma enzima do próprio parasita. É o mesmo tipo de alvo que a classe original persegue em células de tumor, o que explica o reaproveitamento.
O tamanho honesto do resultado: in vitro, em placa de laboratório. Testes em animais ainda não foram feitos, testes em humanos não estão no horizonte do paper, e a Agência FAPESP, que deu o destaque, é ligada à fundação que financia o estudo. Por isso a confiança desta matéria é média.
Tratar quem está doente e desarmar o mosquito na mesma molécula.
As duas frentesUma equipe decidiu procurar o remédio novo na gaveta dos antigos: reaproveitar molécula de câncer contra a malária foi escolha de gente, não acaso de laboratório.
O resultado é in vitro, e a Agência FAPESP, que divulgou, é ligada à fundação que financia o estudo.
Evidência▾
Entidades USP, Celia Garcia, Plasmodium falciparum, PfHDAC1, ACS Omega, Agência FAPESP, OMS
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