O iPhone 17 Pro de Vorcaro não foi quebrado. Foi lido: o iOS guardou um PDF de cada print
A PF recuperou 52 mensagens em visualização única cruzando 31.975 logs e 43.298 registros de uso de apps. Dos oito celulares apreendidos, um foi aberto por completo; quatro iPhones 17 seguem fechados.
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, num jato com destino a Malta e Dubai, poucas horas depois de mandar a última de 52 mensagens a um contato salvo como Alexandre de Moraes BRASILIA. O iPhone 17 Pro foi apreendido na mesma noite. Em depoimento, ele se recusou a dar a senha. O aparelho, segundo a CNN Brasil, tinha uma camada adicional de proteção.
O que veio depois não foi um milagre de quebra de criptografia. Foi arquivologia. Vorcaro escrevia no app Notas, tirava uma captura de tela e mandava a imagem pelo WhatsApp em visualização única, para um contato configurado para apagar tudo em 24 horas. Só que o iOS gera automaticamente uma cópia em PDF de cada captura de nota numa pasta temporária. A perícia do Instituto Nacional de Criminalística, com Cellebrite, GrayKey e o IPED, software da própria PF, cruzou 31.975 logs e 43.298 registros de uso de aplicativos e reconstruiu a sequência: nota, print, PDF, WhatsApp, envio. Entre redigir e mandar, de 11 a 35 segundos.
O relatório tem 218 páginas e 5 MB, entregue ao ministro André Mendonça em 27 de agosto. Em 1º de setembro o sigilo caiu e Estadão e O Globo publicaram as mensagens. No domingo 13, Zanin, Gilmar e Moraes pediram acesso aos dados; a PF entregou a cópia na manhã de segunda 14. Nesta terça, 15, o STF julga se há elementos para prosseguir a investigação sobre Moraes. As respostas dele não foram recuperadas por inteiro: a visualização única funcionou do lado de lá.
A conta dos aparelhos ainda não fecha. A maioria das fontes fala em oito celulares apreendidos em três operações; a coluna de Raquel Landim, no SBT, contou nove em maio. Um foi aberto por completo, um segundo teve a criptografia quebrada em junho, e os restantes, entre eles quatro iPhones 17 (a ND Mais conta seis), seguem fechados. Em maio a PF disse que aparelhos seriam enviados a EUA e Israel. Nenhuma fonte cita disputa com a Apple. O trabalho, segundo a PF, pode ir até 2027.
A criptografia do iPhone 17 Pro segurou. O hábito de tirar print de uma nota antes de mandar, não.
Onde o sistema cedeu| O que a PF cruzou | |
| Logs do sistema | 31.975 |
| Registros de uso de apps | 43.298 |
| = Mensagens reconstruídas | 52 |
| O que ainda está fechado | |
| Celulares apreendidos (3 operações) | 8 |
| Abertos por completo | 1 |
| = iPhones 17 ainda bloqueados | 4 a 6 |
Números do relatório de 218 páginas citados por MacMagazine, Gazeta do Povo e Folha PE/O Globo. A contagem de celulares diverge entre fontes (8 ou 9) e fica em confiança média.
O elo mais fraco não foi a criptografia do iPhone 17 Pro. Foi o hábito de tirar print de uma nota antes de mandar em visualização única.
Nenhuma fonte fala em disputa com a Apple nem em Magnet. Se aparecer, precisa de artefato.
Evidência · 8 fontes▾
Entidades Daniel Vorcaro, Banco Master, Polícia Federal, Instituto Nacional de Criminalística, Cellebrite, GrayKey, IPED, STF
